Balanço do ano???

Bom,
O ano está chegando ao fim, muita coisa aconteceu, coisas boas e ruins, e outras tantas NÃO aconteceram...
Eu tenho muita coisa para escrever, pensar, colocar na balança, muitas reflexões que desejo compartilhar.

Do princípio...
2009 começou com muitos sonhos e algumas expectativas...
Mudança total, que geraria significados novos, referências novas, experiências novas...
Algumas das novas (ou velhas novidades) deste ano, infelizmente, foram calcadas em mentiras e ilusões e velhos sonhos escoaram para o ralo, trazendo dor, sofrimento e desilusão...
Essa parte a história acaba por influenciar em todo o desenrolar de algo que poderia ter sido bom e não foi, ou poderia ter sido melhor do que de fato foi. Contudo, cabe ao espírito atento buscar refletir e observar os ganhos também nesse tipo de experiência.

No que diz respeito às outras mudanças, mudei de casa, de cidade, de curso, de faculdade (mas não de universidade), de assessoria, de mocidade, de trabalho...
Enfim...Minha vida mudou totalmente e ainda não posso avaliar se no geral minhas escolhas foram positivas ou não...

Mudança de cidade:
Há muito tempo algo em mim dizia que eu deveria voltar para São Paulo (ou quase São Paulo). E esse algo dentro de mim sinalizava como um desespero e um medo muito grande de algo que eu não sabia bem o que era... Hoje sei que era meu programa reencarnatório sinalizando a necessidade deste retorno. Ainda não descobri as razões.
A mudança de cidade veio motivada pela mudança de curso/faculdade. Mudança positiva, embora as dificuldades geradas pelas demais mudanças tenham prejudicado meu desempenho. É claro que vivi em meio à muita picaretice (minha e dos professores), mas o nível de discussão da sala e o envolvimento dos alunos é, por si só, um diferencial. Além disso, a possibilidade de visitar alguns museus e contemplar algumas exposições que eu não faria caso estivesse em Bauru também são fatores importantes.
Quando ao trabalho, fiquei desempregada por muito tempo. O mesmo medo que tive quando pensei em vir para cá em 2007 e que me fez escolher o que parecia ser mais fácil, e me levou a um ano em Bauru, com uma passagem relâmpago por Marília, tornou-se real aqui. Sobrevivi e hoje estou fazendo estágio em algo que eu gosto e feliz com isso... Nesse aspecto, o medo não me aconselha nunca mais! Vivi tudo que tive medo e fugi! E, olha só, sobrevivi!

Mas, o mais difícil mesmo foi no quesito Departamento de Mocidade. Estava bem em Bauru, com amigos que amo muito, perto de outros tantos, e inserida num movimento que ajudei a construir e cuja história e ritmo fazem parte de mim há mais de dez anos. Deixar tudo e vir para outra região, recheada de desafetos, a princípio, me pareceu uma mudança física e eu acreditava, mesmo, que conseguiria estar no noroeste paulista sempre que quisesse. Infelizmente, as questões materiais e os choques de agenda impediram-me de estar onde meu coração queria estar. Junto com essa dificuldade, a proximidade de outra região, também do interior, acalentou um pouco meu coração, mas algo me dizia que não era ali que eu deveria estar, afinal, qual era minha realidade???
Percebi, com muito custo, que deveria estar onde eu fisicamente estava. Os trabalhos foram despencando, convites, propostas, dificuldades e necessidades apontando a todo momento que eu deveria trabalhar aqui. Uma mocidade acolhedora, amigas queridas, um trabalho nascente... Paralelo a isto, vim sofrendo perseguições e boicotes pessoais, relacionados ao primeiro item do texto, que só dificultaram ainda mais meu relacionamento com as pessoas deste lugar.
Hoje penso que as coisas não precisavam ser assim. Aliás, tenho certeza de que elas eram para ser de outra forma, mas também estou certa que aqueles que eu deixei fisicamente, eu já amo e me cabe tão somente aprender a amar mais neste lugar e com essas pessoas, tão diferentes de mim (não falo da minha mocidade). Estou certa de que é aqui que tenho que estar, para romper os muros construídos em experiências passadas que, por invigilância não só minha, mas de pessoas muito ligadas à minha própria história, só foram reforçados e edificados ao longo deste ano.
Percebo que aquela primeira história poderia ajudar a diminuir esse muro, mas que só aumentou e é exatamente no que tenho que trabalhar.
Sim, tudo é mais difícil quando saímos do nosso programa reencarnatório e partimos para o campo das "possibilidades". Contudo, é possível fazer o que deve ser feito, ainda que seja com mais dificuldade, de modo que, no final, tudo fique como deveria ser e, hoje, sei que será uma conquista só minha.
De fato, estou onde deveria estar, colhendo os frutos que plantei, buscando desconstruir barreiras, eliminar muralhas, na certeza de que o amor, só o amor, é capaz de mudar um passado de dor e sofrimento. E quanto falo disso, falo da coletividade, que encarna e reencarna, que convive e não consegue ainda amar.
Estou certa, hoje, de que, por mais difícil que esteja sendo todo o contexto dessa nova realidade, o que preciso é conviver com as pessoas que tenho convivido, buscando romper essas muralhas, fazendo a minha parte, que é o que me cabe.
Poderia ser mais fácil? Certamente que sim! Mas, quem disse que eu preciso de muletas para fazer a minha parte???
Sei que preciso estar firme e forte, e que muitos momentos difíceis virão. Difíceis para mim, cujos sentimento frágil me chama para estar no conforto dos meus e não num campo de batalha, mas sei que ei de conseguir e quero, muito, desencarnar com a paz na consciência, na certeza de que fiz minha parte em tudo que cabe a mim até o meu último suspriro nessa materialidade.

E, caso eu esteja enganada, eu faço as malas e mudo de novo, para onde meu coração me chamar!

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