Era uma vez... um santo.


Uma das lendas mais conhecidas entre os antigos comenoespianos e a lenda do Santo.
Conta a tradição que em outubro de 1995, logo após o bispo de igreja Universal do Reino de Deus ter aparecido na televisão chutando a imagem de Nossa Senhora Aparecida, um grupo de jovens espíritas se reuniu numa 2a prévia da 6a Comjesp, em Araçatuba, para estudar... (será que foi só isso). O evento foi realizado numa creche católica.

Não vou entrar nos detalhes do encontro... Basta contar que apareceu mais gente que o esperado e tinha jovem dormindo em tudo que é lugar. Corredor, hall, banheiro, qualquer espaço servia. Teve um infeliz que dormiu dentro da banheira. Em um dormitório feminino, a coisa estava tão espremida, que até pisão em cabeça houve.

Mas, eu estava contando da lenda do santo.

Pois bem, o evento foi em menos de uma semana do episódio da Santa e o Bispo. Com tanta gente, era um tal de abraça para cá, saudades para lá... E os jovens corriam para se ajeitar, conseguir seus cantinhos nos dormitórios, deixar a mala. Isso, sempre entre um abraço e outro, e ao som do violão do Carlão, outra lenda...
O prédio era um sobrado antigo, daqueles cuja escada é o próprio corrimão. Reza a lenda que o pé direito do térreo era alto, fazendo a escada ser maior ainda. Encostado na parede da escada, sobre uma mesa alta, estava uma estátua de mais de um metro de altura de São Francisco de Assis. Conta a história, que a imagem era linda. Ele, de vestes marrom-aranjadas, mãos para cima, olhar para o céu, doce...
Segundo disseram, a imagem teria vindo de portugal e era antiqüíssima... E estava ali protegendo a creche, tinha sido benzida por não sei quem super importante na hierarquia católica... Enfim, quase um patrimônio. Como santo é santo e teoricamente não faz distinção de credo, a imagem estava lá para cuidar dos agitados jovens espíritas dos anos 90.
Então, abraça para cá, abraça para lá, violão, muita conversa, algazarra (naquela época era brabo), um moço foi subiu, mala na mão, para conseguir seu lugarzinho em algum canto. Rápido, ele foi subindo, agitado, enquanto outra moça estava lá embaixo, em meio a abraços, ouvindo o violão. Nesse minuto que entrou para a história, Carlão, o violeiro, começa outra canção, acompanhado pela moça, chamada Gisele. Gi, bonita, que chamava atenção do outro rapaz, cujo nome não vou revelar, se empolgou na música, sendo ouvida pelo tal moço na escada, de mala em mãos.
Preciso dizer o que aconteceu?
Bom, para os que não conseguiram ainda advinhar eu conto:
-Adoro essa música!!!
Foram essas as últimas palavras ouvidas pelo santo, pois, ao dize-las, a empolgação do rapaz era tanta que ele simplesmente abriu os braços e a mala foi caindo, caindo, caindo, até enroscar nos braços da imagem, voltados ao céu.
O resultado?
Caquinhos dos braços de Francisco de Assis, muita conversa, bronca, cara feia e colo.
Ah, como desgraça pouca é bobagem, a diretora do Departamento de Mocidade na época, que era conhecida pela sua, digamos, braveza, resolveu aparecer justo no encontro de Araçatuba. Daí o pau comeu solto!!! Não com o moço da mala, nem com a moça da voz, muito menos com o violeiro, mas, com a galera que fez daquilo um verdadeiro fuá! Com bronca ou sem bronca, independente da fala da onça, digo, chefa: "Acidentes acontecem", a história se propagou e mesmo quem não viveu os anos 90 nesses encontros já algum dia ouviu falar no santo que virou pó!
Quem não sabia, agora sabe...
Mas, isso é só lenda.

Era uma vez...

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