Eu e o outro - meu espelho!




Estava conversando hoje com uma amiga a respeito dos sentimentos e do quanto nos escondemos de nós mesmos. O quanto o medo é forte ainda e nos faz atacar para defender. Defender de quê?
No último fim de semana, ouvi numa aula algo que eu já tive a informação, mas que, desta vez ficou muito mais evidente para mim. Ouvi que precisamos do outro para nos refletir. Então, pensando em como eu sinto, penso e faço, me vi exatamente assim: querendo me livrar do outro, atacando, para me defender da convivência com o outro e comigo.
Também percebi que quanto mais próximo o ser, mais ele me reflete, então, de maneira não consciente, eu acabo por atacando para que esse ser se afaste de mim. E quanto mais eu gosto, mais ataco, para que de nenhum modo eu possa conviver para me perceber.
É claro que tudo isso é automático. Tudo parte de um processo mecânico. Quando eu precebo que vou me envolver, seja com amigos, familiares, etc, mais eu provoco situações para que eles se afastem de mim.
Não havia percebido o quanto isso é real e forte e o quanto é freqüente também.
Outa coisa que descobri é que sempre fui assim, mas, depois que uma amiga muito próxima minha morreu, isso ficou mais forte. Lembro-me que a dor foi tanta e tão imensa, que comecei a mal tratar todas as outras amigas, pois as queria fora da minha vida para que eu também não sofresse a perda delas.
Analisando minha vida, vi o quanto eu venho fazendo isso e magoando as pessoas em torno de mim. E o que mais me dói é perceber o quanto eu afasto os seres que mais amo pelo simples medo de perdê-los.
Não estou dizendo que a causa disso tudo foi a morte da Kika, mas, talvez aquela dor tenha aberto painéis de outras dores de passados longínquos e tenha me colocado na defensiva para que eu não sofresse mais. Ledo engano.

Eu tenho uma amiga muito parecida comigo. Até brincamos que nossas vidas são xerox. Sei que vez ou outra eu me "divorcio" dela. Na hora dá um certo alívio, mas, sempre que "voltamos" (Rs) e uma das duas está em situação crítica por algum motivo, conseguimos perceber melhor as causas e o que fazer. Isso pelo simples fato de nos refletirmos. Eu me vejo nela e ela se vê em mim e somente convivendo é que conseguimos fazer os links entre nós-encarandas e nós-espíritos e os compromissos e percepções se afloram. Não que seja fácil conviver com alguém que me mostra o tempo todo como sou, mas, hoje, percebo que é necessário.

Um amigo espiritual nos disse uma vez que só negamos aquilo que conhecemos e que nossos compromissos espirutuais estão em nós, logo, os conhecemos, embora não lembremos. Sabe, talvez seja por isso que fujamos tanto de determinadas situações e convivências, pois sabemos que elas não serão fáceis, mas, sabemos que elas são necessárias para nos percebermos e é exatamente isso que não queremos, afinal, quem quer se ver arrogante, nervoso, impaciente, voluntarioso, personalista, egoísta e etc. É mais fácil ficamos próximos de espíritos que não tem nada a ver conosco ou que não nos contrariem, não é?
Isso é por que não acreditamos que somente semelhante atrai semelhante e não queremos ver que aquele ser tão difícil diante de nós que nos atrai com tanta força e a quem repelimos com força até maior é nosso maior espelho e nossa passagem para dentro de nós mesmos.

Hoje eu percebo o quanto perdi nesses dez anos pós Kika (e até antes) e, após descobrir tudo isso dentro de mim, decidi que não quero mais fugir desse tipo de convivência, pois não quero mais fugir de mim mesma e me esforçarei para abaixar o escudo e largar a espada que me afasta do outro e me distancia de mim.
Não é a toa que espíritos se encontram, se afinizam em criam laços. Além do fato de que atraimos sempre nossos semelhantes, não podemos nos esquecer da anterioridade e que um passado de história fortes e dolorosas precisa ser redimensionado, com coragem, paciência e amor.
Acredito que esse sentimento atrativo, que chamamos de amor (seja ele de qualquer natureza) seja um sinalizador do que deve ser feito dentro de nós e quais os seres que devem nos acompanhar nesta caminhada. Acredito no amor, na atração, na amizade como recursos para que eu possa ser um espírito melhor. Acredito que trabalhar em cima desse amor pode reajustar energias doroloras e que, com força de vontade, podemos superar qualquer obstáculo íntimo, seja ele o orgulho, o rancor, a mágoa... E que ele é o principal combustível para que vençamos o medo. O medo de conviver conosco através do outro...
Eu acredito no amor como força principal e que tudo pode ser superado, pois ninguém consegue fugir de si mesmo para sempre!!!

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