Pacto... Uma velha história não compreendida, por isso mesmo, ATUAL.


Há alguns anos, duas jovens fizeram o que chamaram de "Pacto". Princesas arrogantes do passado, seres difíceis, orgulhosos e, sobretudo, medrosos, essas garotas estavam começando a perceber o quanto afastavam o mundo a sua volta delas mesmas.
Um dia, tomadas por uma disposição de mudança, selaram o pacto de tentar permitir com que outros seres se aproximassem delas. Sempre alegres, comunicativas, dinâmicas e dispostas, quem com elas convivia não imaginava os conflitos internos que as dominavam.
Aparentemente, seres dóceis, meigos e cativantes, na verdade, a cada passo que davam em direção ao outro, davam dois para o sentido contrário.
Firmando o pacto de se ajudarem nesse contexto, as duas jovens experenciaram, cada um a sua maneira, os primeiros ensaios do "permitir-se". Esse pacto incluia uma trilha sonora e, posteriormente, uma comunidade no orkut.
Apesar da trilha sonora copiada, ouvida, distribuída, as disposições ainda eram fracas, e ambas não saiam do "tentar", ou pior, achavam que estavam tentando quando, na verdade, estavam repetindo os mesmos movimentos de antes, apenas num formato diferente.
Onde estava o erro?

De maneira didática, elas criaram a "Teoria da Caixinha". Era mais ou menos assim: Seres medrosos se encaixotam para não conviver. Assim, fogem da convivência mais próxima, mantendo-se alegres, sociáveis e bem quistas, porém, intocáveis em seu universo interior. Mas, como é esse insulamento? Ah, ele é íntimo e bem disfarçado. Às vezes, se manifesta como "não estou entendendo", outras vezes com o "tá bom, vamos ver o que o tempo vai fazer", então, se cruza os braços e se fica onde está.
Porém, existe um processo mais difícil de se detectar: Quando achamos que já abrimos a tampa da tal caixinha, agindo apenas no campo das atitudes, mas, com o coração tão medroso quanto antes.
Quanto não olhamos direito para nossos sentimentos e nossas limitações, certamente corremos o risco de que isso ocorra conosco.
Existe algo grave, também, neste contexto. É quanto abrimos a tampa da caixinha e, a qualquer sinal de aproximação "inimiga", a fechamos, ou até, metemos cadeados. E, ainda podemos incorrer na falha anterior e estarmos tão disconexos de nós mesmos que achamos que a caixa está aberta.
Como perceber o real estado nosso em relação a tal caixa?
Hoje vejo que é somente tentando olhar para nós mesmos, verificando nossas atitudes em relação aos outros e, principalmente, o que sentimos, sendo sinceros conosco sempre.
Olha, o grupo de seres encaixotados é imenso...

Em relação à caixinha, agora, falando de mim, observando meus comportamentos e os frutos que tenho colhido, vejo que um dia achei que estava tomada de coragem e que já tinha pulado fora da caixinha. Hoje percebo que cometi o erro mais grave de todos! Enganar a mim mesma! Não, não pulei fora da caixinha. Às vezes duvido até mesmo que tenha aberto a tampa. Tá, acho que abri sim, olhei pra fora, mas continuei lá dentro, me defendendo dos perigos imaginários da convivência que, na verdade, é algo natural e necessário para o ser.
Hoje olho e vejo quanto medo ainda tenho, o quanto acho que preciso me defender da convivência afastando os outros de mim com a agressividade que só eu sei ter, e quanto eu afasto os que mais amo. Sou boa nisso!

Quanto ao tal do pacto, percebo hoje que ele não foi bem compreendido, pois, anos depois, as mesmas jovens estão frente a frente, diante das mesmas situações, com as mesmas dificuldades, sendo, desta vez com mais informações, obrigadas a olharem para si mesmas através do outro, que é o espelho maior que se tem na vida. Ah, elas mesmas são o espelho uma da outra e também se encaixotam uma para outra de vez em quando.
Vendo essa história de fora, eu percebo o quanto elas aprendem mais e têm mais força quando estão juntas, apoiando-se e refletindo-se.
Hoje, diante de novas situações, elas são obrigadas a ter um posicionamento diferente e lidar com o novo. O que é esse novo? Ninguém sabe, afinal, se não, não seria novo.

E o pacto? O que é o pacto? Isso, só elas sabem! Mas, hoje se tem notícia que é algo do além!!!
Qualquer dia eu posto algumas das músicas da tão famosa trilha do Pacto, se eu tiver permissão para isso.

Boa sorte para todos os seres que acham que querem, mas, no fundo, não querem. Que tentam não tentando, que correm para um lado, quando o coração manda correr para outro, que se isolam, se afastam, que deixam de viver! Boa sorte para todos que querem encarar com coragem a si mesmos, acreditando que há mais no mundo que o medo de ser machucado. Há, sobre tudo, o amor!

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