Recentemente, li uma frase no msn de uma pessoa que dizia "Sushi paraguaio com caldo de galinha caipira". Foi mais uma dessas frases de ataque que pessoas covardes colam para tentar machucar umas as outras e essa foi para mim.
Eu achei até graça do ridículo dessa frase.
Primeiro, porque refleti no termo "caipira". Bom, conheço muita gente nascida e criada na grande São Paulo que é mais caipira do que o pessoal do interior.
Na verdade, é preciso entender o que é caipira.
Caipira pode referir-se aos costumes do interior, não apenas de São Paulo, mas de outros estados também.
Contudo, também pode ter cunho pejorativo. Se a frase era para atacar, acredito que seja este o contexto, até porque o autor não me parece alguém de ampla bagagem cultural.
Voltando à frase, posso dizer que estive no Paraguai algumas vezes e nunca vi sushi em lugar algum...
Mas, falando em caipirice, no sentido pejorativo da palavra, acho que para mim é mais voltado à breguice, à ignorância, à burrice, à jacusisse. Caipira, para mim, pejorativamente falando, é aquele ser fechado em meu mundinho, ainda que conectado ao mundo pela internet.
Pensando na minha própria história, posso dizer que não me sinto caipira, nem em um sentindo, nem em outro.
Primeiro, porque nasci em São Paulo e fui criada no Rio de Janeiro, depois, porque sou curiosa, culta, educada (com os que merecem), instruída, inteligente, perspicaz, sagaz, e nada modesta.
Cresci em meio a livros e museus e entre manifestações de cultura erudita e popular.
Aí, neste ponto, do popular, é que eu sinto que também não sou caipira.
Gosto de ver, admiro as histórias, as canções, mas dentro de seu contexto de produção.
Estive ontem no "Revelando São Paulo" e pude ver um pouquinho de alguns lugares do nosso estado, mas tudo fora de seu contexto. Fogões a lenha em plena capital, índios fazendo artesanato com miçanga, etc. Contudo, a experiência foi válida e reflexiva.
Lembrei, sim, das festas do peão, cavalhadas, fogo de chão que via de longe no interior. Gosto de apreciar comidas diferentes e de entender a história delas.
-Porque o baião de dois tem esse nome?
-O que é a queima do alho?
Será que algum desses psedocultos cosmopolistas sabem responder?
Mas, será que eles sabem algo mais que apertar uns botões ou copiar belas frases do site "O Pensador"?
Eles sabem identificar uma obra de arte, falar de seu contexto de produção e de suas características?
Sabem falar a respeito de literatura, cinema (não cine pipoca), passagens históricas e suas influências na humanidade de modo sensível e não decorado?
Sabem mesmo?
Sabem fruir uma peça de teatro e falar dela sem ser o que leram na internet?
Depois, caipira é o povo do interiorrrrrr...
Que pena... Queria eu ser capira das tradições da nossa terra e não apenas uma conhecedora dos costumes e histórias, pois sei que, ainda assim, meu nível cultural e educacional me permitiria dialogar tranquilamente entre o erudito e o popular.
Sushi paraguaio com caldo de galinha caipira???
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- segunda-feira, 14 de setembro de 2009
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